Dança entre as sombras






Segurei na borda da piscina, para acompanhar o mundo que girava veloz e obscenamente ao redor de mim. Um fragmento das funções cerebrais que lutavam arduamente pelo controle de minhas funções corporais sabia que isso de nada adiantaria: as leis da inércia não são páreo para uma cognição afetada por um liquido volátil e incolor formado pela fermentação dos açúcares.
Algumas das funções cerebrais foram obrigadas a largar seu trabalho - até então elas aliviavam a sensação de dor das diversas escoriações em meu braço direito - para assumir o manto de um conjunto de virtudes e axiomas sociais e morais que me estimularam a conter o vômito na frente de um grupo de amigas. Fazê-lo na frente das belas garotas era, agora, equivalente à pior das heresias.
Cerca de 30 segundos depois eu estava perfeitamente bem (por fora, o interior continuava em guerra civil). O mundo continuava girando, mais lentamente dessa vez, me permitindo entrar no ritmo da existência, sendo levado por ondas de possibilidades, me policiando apenas para manter o aspecto humano. O mundo para um bêbado é senão uma dança entre sombras cognitivas as quais o sujeito em questão tem plena consciência de suas naturezas potenciais, de abstrações quantitativamente indefiníveis e, portanto, irrelevantes.

1 comentários:

At 29 de agosto de 2010 09:36 Filipe Eduardo P. S. said...

cara demais meus amigos/companheiros de viagem/guerreiros boêmios estão escrevendo coisas muito interessantes :p

 

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